terça-feira, 24 de agosto de 2010

apócrifo do


AMIGO:


Quando os olhos cansam,

as pernas dançam

as peles crecem,

os colhões descem,

o nariz pinga

e a piça minga...

deixa-te de basófias,

que a a missão está finda.

POR ISSO SEGUE ESTE CONSELHO:

Aos 20 anos casado,

não te faltando energia,

podes dar, atesoado,

duas fodinhas por dia.



E aos 25, com gana

e robustez natural,

dando 7 por semana,

não te deve fazer mal.







Mas aos 30 tem cuidado


e vai poupando o tesão,

fode na cama, deitado,

só dia sim, dia não.



E aos 35 pensa

que deves ser mais prudente,

passa a foder por avença,

fode bi-semanalmente.



E aos 40 já não

deves meter-te em folias:

para não perderes o tesão,

fode de 8 em 8 dias.



 
 

Aos 50 marca passo,


embora te cause pena,

e fode mais a compasso,

uma só vez por quinzena.



E aos 60 é rara a vez

em que se apruma o cacete,

dá uma foda por mês

alternada com minete.



E aos 70, toma tacto!

Não penses mais em mulheres!

Corta a piça, dá ao gato,

ou leva no cu, se quiseres.




Poeta Aleixo


GOSTOS


Ouviu bater, loira e pura,


timidamente, na porta ...

Arranjou-se, com candura,

que ser toda boa importa!

E quando viu quem batia,

que p'ra ela era um tesouro,

acordou dessa apatia

de sonhos com língua d'ouro.

Ele entrou, tirou a roupa,

já crescido o seu cacete...

Fodeu para aquecimento

e atirou-se ao minete ...

Lambeu com gosto a miúda

até a ver consolada ...

depois de lhe perguntar

se tinha a cona lavada!...

E no fim, realizado,

foi à bacia, lavou-se:

sim, qu'estava lambuzado,

fosse lá por o que fosse!

Saiu então para casa,

debaixo de chuva intensa.

Levava na boca um gosto

de satisfação imensa !...

E no sono calmo e santo,

produto de tal conduta...

sonhou, ainda, o minete

com que fez vir uma puta...




Pedro Laranjeira

ESPECIARIAS

Comi a Nela tarada


Comi-a com noz moscada

Comi a a tarada da Nela

Comi-a toda com canela

Com gengibre e açafrão

Comi-a de pé e no chão

Comi a Nela ciumenta

Comi-a a mesmo com pimenta

Das cuecas aos colarinhos

Empurrei-a com cominhos

Veio-se a Nela vezes mil

Comi-a sempre com caril

Com piri-piri e molho

Comi-a toda até ao olho

Comi a Nela tarada

Comi-a com malagueta

E agora não como mais nada

Vou tocar uma punheta




João Habitualmente


(homenagem à parte sórdida do cancioneiro medieval

 
 

EROS


O meu olhar descia como um íman


Ao centro mais ardente do teu corpo




Alberto Lacerda

COSMOCÓPULA


O corpo é praia a boca é a nascente


e é na vulva que a areia é mais sedenta

poro a poro vou sendo o curso de água

da tua língua demasiada e lenta



dentes e unhas rebentam como pinhas

de carnívoras plantas te é meu ventre

abro-te as coxas e deixo-te crescer

duro e cheiroso como o aloendro




Natália Correia

CANTIGA DE MALDIZER


Maria Mateu, daqui vou desertar.


De cona não achar o mal me vem.

Aquela que a tem não ma quer dar

e alguém que ma daria não a tem.

Maria Mateu, Maria Mateu,

tão desejosa sois de cona como eu!





Quantas conas foi Deus desperdiçar

quando aqui abundou quem as não quer!

E a outros, fê-las muito desejar:

a mim e a ti, ainda que mulher.

Maria Mateu, Maria Mateu,

tão desejosa sois de cona como eu!




Afonso Eanes de Coton


Século XIII

Carta a Valéria



Minha querida Valéria


tu és

meu primeiro pensamento pela manhã

e o último pensamento que tenho ao fim do dia



eu nunca deixei de te amar

e detenho íntimo lamento quando do contrário pensaste

esta paixão que por ti mantenho não é vã,

não é vão o amor que um dia lhe prometia



tal paixão com que venho ao seu colo debruçar

igual um desenho, naquele dia que me deixaste.



Úmero Card'Osso

CÂNTICO


Num impudor de estátua ou de vencida,


coxas abertas, sem defesa... nua

ante a minha vigília, a noite, e a lua,

ela, agora, descansa, adormecida.



Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,

meu olhar desce aonde o sexo estua.

Choro... e porquê? Meu sonho, irreal, flutua

sobre funduras e confins da vida.



Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...

enquanto o luar a nimba, inerte, gasta

da ternura feroz do meu amplexo.



Cantam-me as veias poemas nunca feitos...

e eu pouso a boca, religiosa e casta,

sobre a flor esmagada do seu sexo.


José Régio

À meia-noite, pelo telefone



À meia-noite, pelo telefone,


conta-me que é fulva a mata do seu púbis.

Outras notícias

do corpo não quer dar, nem de seus gostos.

Fecha-se em copas:

“Se você não vem depressa até aqui

nem eu posso correr à sua casa,

que seria de mim até o amanhecer?”
 
 


Concordo, calo-me ....



Carlos Drummond de Andrade





Raízes

Suplico-te,


enfia o teu pau,

rigido, endurecido, firme,

erguido, recto,

na minha vagina ansiosa.



Enraíza

e diz-me que sou tua,

que sou a terra das tuas raízes

a nutrir um gozo

tão sublime,

tão delicioso.



Enfia o teu pau

rigido, endurecido, firme,

erguido, recto,

na minha vagina ansiosa,

e diz-me que és o tronco

enfiado na terra do meu corpo

ansioso.



Diz-me


que és o tronco

firme, duro, seguro, permanente

enfiado na terra do meu corpo.

 

Diz-me


mais uma vez,

muitas vezes,

que és a raiz,

eu sou o solo,

tu apenas o agregado,

eu o teu chupa delicioso

que eternamente

desejas depositar as tuas sementes.



São,

e serão,

vestígios

que escoam na geratriz.


Valeria

 

Flor aberta do jardim proibido


Te ver, quando os céus permitem,


Na inconseqüência das horas perdidas,

É uma graça imerecida, maldita,

E os piores sonhos minhas noites encontram



Teu sorriso me atrai, teu corpo de distrai,

E nos teus olhos me encontro, apaixonado.

Passeio em voce, meus pensamentos desvairados,

E me perco nos teus detalhes, alucinado.



Queria ser, de tua flor o pólen que fertiliza,


nas curvas de teu ventre, o artista,

que com o pincel imortaliza,

a beleza mais pura, o sentimento mais intenso.



A vida nos colocou lado a lado, de repente,

quando eu mais queria estar à tua frente.

Você surgiu, anjo e demônio, mulher esculpida,

e me deixou caído, inerte, mil vezes seja maldita.

 



E hoje eu me escondo, marginal,


atrás de um sorriso, o coração a latejar

enquanto você me seduz, de forma animal,

sem a menor chance de te alcançar.



Mas um dia, ah!, esse dia ...

te encontrarei, sozinha e indefesa, minha cigana,

e te juro, sem que possa um gesto esboçar,

te arrasto, te sequestro, te entronizo em minha cama.






E vou te conhecer, corpo e alma, e me apresentar,


e vou me incendiar nos teus cabelos, na tua pele,

e vou te mostrar, com todas as letras que conheço,

como é forte, intenso, maldito, esse meu amar...

 
 
Martini
 

Amor, amor, amor ....




Carlos Drummond de Andrade

Maçã (não) proibida



Vêm,


vide as minhas pétalas abertas,

abertas para serem exploradas

com a tua lingua.





Vêm,

vide as minhas pétalas abertas,

abertas para explorares

seus cheiros perfumados

e deliciosos sabores.






Vêm, vêm


Levar o meu néctar

para além desse momento,

para aquelas colmeias

navegando, ou será,

talvez perdidas no inconsciente ....


Naqueles momentos


em que nada parece valer a pena

ou quando eu não estou

mais presente,

para que tua gentil lingua

venha a lamber aqula lembrança,

aquela recordação

de como foi tão bom, tão delicioso

saborear, lamber

a maçã to amor

que te tinha

de bom agrado,

entregue ...



Não esquecereis ?

 
 
Valeria
 

ENTREGO-TE


Quero sentir as tuas mãos deslizarem


pelo meu corpo nu

e passear pelo meu ventre.

Quero sentir um beijo descer

pelo meu corpo ansioso

passeando pelas minhas longas pernas

e beijando cada dedo dos meus pés.













Quero sentir a tua lingua subindo

pelas curvas das ancas

deslizando no meio das minhas nádegas

serpenteando pelas minhas costas acima

até atingir a minha nuca,

até afastar os meus cabelos,

até tornear as minhas orelhas

procurando ...

buscando os meus lábios rubros,

ansiosos ---




Quero sentir o encontro das nossas bocas,


abertas, ansiosas.

Quero sentir o encontro das nossas linguas

Em fogo.



 
Quero sentir as tuas mãos a acareciarem-me


descendo até aos meus seios endurecidos.

Quero sentir os meus mamilos na tua boca.

Quero sentir a tua boca, aberta

chupando os meus mamilos,

meu arfar no teu coração,

a tua alma nos meus braços,

as nossas almas no nosso entrançado.

Quero suspirar ahs e ohs ...



 

Quero sentir os teus lábios


beijando, lambendo, chupando,

explorando a minha cona.



No meio da minhas pernas,

abertas

jaz o cheiro perfumado do prazer

que desejas, que procurais

e que atrai o teu encaixe que busca.



Vêm, homem,

Pois a minha entrada sublime,

ansiosa, deliciosa,

aberta ao desejo

está ansiosa para acolher o teu membro

erecto, firme, endurecido, belo, desejoso

sem pensar em mais nada ...

 

Faz-me tua


Num encaixe perfeito

Num desejo ardente

Malicioso, dlicioso,

Devora-me --- fode-me.



Quero sentir o encaixe do teu caralho

na minha cona.

Quero sentir em mim, o teu caralho,

movendo, recuando, avançando,

para trás, para frente,

para fora, para dentro.



Quero sentir em mim o teu gozo quente

O teu caralho ejaculando.




 

Para quando partires,


Teres deixado o sabor,

Aquele sentimento que fui e sou mulher

E que de consciencia tranquila

te entreguei o meu ventre,

o meu amor ...

 
 
Valeria
 
 
 

A INIGUALÁVEL


Ai, como eu te queria toda de violetas


E flébil de cetim...

Teus dedos longos, de marfim,

Que os sombreassem jóias pretas...



E tão febril e delicada

Que não pudesses dar um passo -

Sonhando estrelas, trantornada,

Com estampas de cor no regaço...




Queria-te nua e friorenta,


Aconchegando-te em zibelinas -

Sonolenta,

Ruiva de éteres e morfinas...



Ah! que as tuas nostalgias, fossem guizos de prata -

Teus frenesis, lanjoulas;

E os ócios em que estiolas,

Luar que se desbarata...

 
 

Teus beijos, queria-os de Tule,


Transparecendo carmim -

Os teus espasmos de seda...



- Água fria e clara numa noite azul,

Água, devia ser o teu amor por mim...


 
in «Poesias Completas»,


Assírio & Alvim, Lisboa, 1996




CANTIGA DE AMOR


Se eu pudesse desamar


A quen sempre desamou,

E pudesse algum mal buscar

A quen sempre mal buscou!

Assim me vingaria eu,

Se eu pudesse coita dar

A quen sempre me coita deu.

.

Mas sol non poss'eu enganar

Meu coraçon, que m'enganou,

Por quanto me fez desejar

A quen me nunca desejou.

E por esto non dórmio eu,

Porque non posso coita dar

A quen me sempre coita deu.



Pêro da Ponte - Séc. XIII)


EM TEU CRESPO JARDIM ANÊMONAS CASTANHAS





AS MULHERES GULOSAS


SÃO FLORES OU SÃO NALGAS



Carlos Drummond de Andrade