terça-feira, 24 de agosto de 2010

A INIGUALÁVEL


Ai, como eu te queria toda de violetas


E flébil de cetim...

Teus dedos longos, de marfim,

Que os sombreassem jóias pretas...



E tão febril e delicada

Que não pudesses dar um passo -

Sonhando estrelas, trantornada,

Com estampas de cor no regaço...




Queria-te nua e friorenta,


Aconchegando-te em zibelinas -

Sonolenta,

Ruiva de éteres e morfinas...



Ah! que as tuas nostalgias, fossem guizos de prata -

Teus frenesis, lanjoulas;

E os ócios em que estiolas,

Luar que se desbarata...

 
 

Teus beijos, queria-os de Tule,


Transparecendo carmim -

Os teus espasmos de seda...



- Água fria e clara numa noite azul,

Água, devia ser o teu amor por mim...


 
in «Poesias Completas»,


Assírio & Alvim, Lisboa, 1996




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