terça-feira, 24 de agosto de 2010

GOSTOS


Ouviu bater, loira e pura,


timidamente, na porta ...

Arranjou-se, com candura,

que ser toda boa importa!

E quando viu quem batia,

que p'ra ela era um tesouro,

acordou dessa apatia

de sonhos com língua d'ouro.

Ele entrou, tirou a roupa,

já crescido o seu cacete...

Fodeu para aquecimento

e atirou-se ao minete ...

Lambeu com gosto a miúda

até a ver consolada ...

depois de lhe perguntar

se tinha a cona lavada!...

E no fim, realizado,

foi à bacia, lavou-se:

sim, qu'estava lambuzado,

fosse lá por o que fosse!

Saiu então para casa,

debaixo de chuva intensa.

Levava na boca um gosto

de satisfação imensa !...

E no sono calmo e santo,

produto de tal conduta...

sonhou, ainda, o minete

com que fez vir uma puta...




Pedro Laranjeira

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