terça-feira, 24 de agosto de 2010

CANTIGA DE MALDIZER


Maria Mateu, daqui vou desertar.


De cona não achar o mal me vem.

Aquela que a tem não ma quer dar

e alguém que ma daria não a tem.

Maria Mateu, Maria Mateu,

tão desejosa sois de cona como eu!





Quantas conas foi Deus desperdiçar

quando aqui abundou quem as não quer!

E a outros, fê-las muito desejar:

a mim e a ti, ainda que mulher.

Maria Mateu, Maria Mateu,

tão desejosa sois de cona como eu!




Afonso Eanes de Coton


Século XIII

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